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♥♥ Biografias ♥♥ : MARIA ANTONIETA - A DESVENTURADA RAINHA DA FRANÇA‏
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De: Mayra  (Mensaje original) Enviado: 10/08/2009 02:23

 MARIA ANTONIETA - A DESVENTURADA RAINHA DA FRANçA‏
 
 


Maria Antonieta, ex-rainha da França, tinha 37 anos quando foi retirada de sua cela na Conciergerie, uma fortaleza do século XIV construída na île de la Cité, e transportada numa carroça aberta até seu cadafalso na Place de la Révolution, a um quilômetro e meio dali. Alguns dos espectadores que formavam a vasta multidão alinhada ao longo do caminho, naquela manhã de 16 de outubro de 1793, talvez estivessem entre os populares que lhe gritaram obscenidades em 1789, quando marcharam sobre Versalhes armados de lanças improvisadas. Ou que derrubaram a golpes de machado a porta de seu apartamento nas Tulherias, onde despejaram sua fúria sobre espelhos e armários. Ou acenaram com a cabeça cortada de sua amiga e quase sósia, a linda Princesse de Lamballe, espetada numa alabarda, do lado de fora de sua janela. Mas agora eles observavam um silêncio lúgubre.

Seu marido, Luís XVI, que perdera o título com a abolição da monarquia, fora guilhotinado nove meses antes, embora lhe tivessem poupado a indignidade de desfilar numa carroça aberta com as mãos atadas atrás das costas. Em seguida, os extremistas jacobinos se apoderaram de seu filho. O príncipe Louis-Charles, de oito anos – Luís XVII, para os monarquistas – tentara se agarrar às suas saias, mas fora levado à força. Como parte de sua reeducação, seus captores usaram o álcool para dobrar sua vontade entre uma surra e outra, e lhe ensinaram a Marselhesa, que ele cantava com um entusiasmo de partir o coração, portando um gorro vermelho de sans-culotte. Louis-Charles testemunhou que fora molestado pela mãe, e seu depoimento foi apresentado no breve simulacro de julgamento a que ela foi submetida, acusada de traição e torpeza moral. Ele morreria dois anos depois, sozinho, num calabouço.

Nenhuma outra rainha, com a exceção talvez de Cleópatra, teve maior empenho que Maria Antonieta em se apresentar à história com a devida elegncia. Embora o seu instinto para se exibir tenha contribuído mais para a sua queda do que para a sua glória, acabou por lhe prestar um derradeiro bom serviço. O traje de luto que ela vinha usando dia e noite desde a morte do marido, desafiando um edito jacobino contra o negro (cor que simbolizava as simpatias monarquistas), ficara cada vez mais surrado. No entanto, sabendo que precisaria produzir uma impressão final e inesquecível – em sua execução – ela conseguira obter um traje completo em perfeito estado: camisola, culotes, vestido e gorro, todos brancos.

Na madrugada do dia de sua morte, Maria Antonieta se levantou, ao fim de algumas horas insones em sua enxerga de palha, e começou sua toilette. Ao nascer do sol, o principal carrasco dos jacobinos, o Cidadão Sanson, chegou para cortar-lhe os cabelos, que tinham embranquecido no decurso de poucos dias em junho de 1791, durante a malfadada fuga da família real para Varennes, que terminara com a recaptura de todos. O artista Jacques-Louis David, membro radical da Convenção Nacional, observou a passagem da condenada de uma janela, e ficou enfurecido com o que lhe pareceu a “arrogncia” do porte da traidora. E desenhou um esboço rápido de uma megera devastada, com uma careta de escárnio e as costas rígidas. Seu vestido lembra uma mortalha.

Como haviam negado à antiga rainha um sacerdote de sua escolha (um dos dissidentes que se recusara a fazer um juramento de lealdade à Revolução), ela subiu sozinha ao cadafalso e pediu desculpas a Sanson por lhe pisar no pé. Depois que ele deixou cair a lmina, exibiu a cabeça, como era de praxe, e a multidão, finalmente sacudida do seu transe, rugiu, “Vive la République!” Em seguida, os restos mortais foram levados para um cemitério perto da Rue d’Anjou, onde os corpos do rei e de sua Guarda Suíça – massacrada numa orgia de violência nas Tulherias, juntamente com outros defensores da realeza – tinham sido sepultados, os últimos numa cova rasa.

Os coveiros, como escreve Antonia Fraser na sua biografia Maria Antonieta (editora Record, 2006), estavam na hora do almoço, de maneira que deixaram a cabeça e o corpo da rainha largados algum tempo na relva, dando a uma jovem escultora – Marie Grosholtz, futura Madame Tussaud – a oportunidade de tirar um molde de cera para a máscara mortuária. Em 1815, um ano depois da restauração da monarquia dos Bourbons, Luís XVIII, o pérfido irmão mais novo do rei (que casara seu filho com a única filha sobrevivente de Maria Antonieta, Marie Thérèse), exumou as relíquias e tornou a sepultá-las, com toda a pompa, na Catedral de Saint Denis. Chateaubriand compareceu à cerimônia, e alega ter reconhecido a cabeça instantaneamente, conta Antonia Fraser, “pela forma especial da boca da rainha, evocando o sorriso resplandecente que ela lhe dirigira certa vez em Versalhes”. Mas tudo que restara, além do crnio, de uns poucos cabelos e da nostalgia de um romntico, eram duas jarreteiras, em perfeito estado de conservação.

Maria Antonieta ainda é desenterrada de tempos em tempos para ser vilipendiada, celebrada ou, como nos anos recentes, ajudar a vender roupas, como fazia em seus tempos de rainha. Seu mais recente avatar, a atriz Kirsten Dunst, com um ar de frescor e realeza, tornou-se onipresente nas revistas, promovendo uma nova biografia em filme, dirigida por Sofia Coppola e baseada no livro de Antonia Fraser. A própria Sofia Coppola é uma celebridade e musa fashion, que ajuda a divulgar o trabalho de amigos estilistas, usando seus produtos com o glamour provocante de uma virgem paramentada com as roupas da mãe. Ela sempre teve um interesse especial por moças lindas e sem saída, pertencentes a uma geração cínica demais para se unir na rebeldia, e refinada demais para se unir na mesmice. É fácil ver por que ela achou que a “rainha adolescente” – uma refém das aparências – poderia ser um bom tema. Mas em vez de tocar a tecla da irreverência, que é seu forte, ela e um conjunto de técnicos estupendos acabaram produzindo – a
 
 
despeito de um ou outro aceno pós-moderno – um filme de época à moda antiga, devidamente higienizado
Poucos tiranos despertaram um ódio mais visceral do que Maria Antonieta, uma mulher normal cuja vida foi infinitamente mais complexa do que sua pessoa. Esse ódio, geralmente associado a uma frase que ela jamais proferiu, “Que comam brioche”, tornou-se parte de sua mística. Sua queda (exemplo do que pode suceder aos políticos que perdem contato com suas bases) começa quase no momento da sua chegada a Versalhes: uma dauphine de 14 anos que, destemida, decide se emancipar das amarras do protocolo da corte e, ao mesmo tempo, impressionar os cortesãos – que insultava desfraldando um prestígio que não possuía.

O prestígio de Maria Antonieta dependia principalmente de um atributo – sua fertilidade – mas seu tímido e obeso noivo de 15 anos passaria sete anos sem conseguir deflorá-la. Luís XVI é, como sua mulher, até certo ponto insignificante, mas sua exposição prolongada ao encanto frenético da rainha acabou por tornar atraente sua monotonia. Passava seu tempo livre, que era considerável, fabricando fechaduras em sua forja particular (tinha uma crença comovente na virtude do trabalho produtivo), quando não estava caçando na floresta. Era menos reacionário que muitos de seus cortesãos, inclusive a rainha; e foi, de um certo ponto de vista moderno, admirável em seu desapego anti-heróico à violência e à empáfia marcial. Compreendia que o estarrecedor código fiscal carecia de reformas, mas era passivo e confuso.

Em inúmeras ocasiões, e com o máximo de tato possível, Maria Antonieta abordava a questão da “vida na intimidade” requerida pelos votos matrimoniais. E Luís respondia com promessas de ação, que depois não conseguia cumprir. Em 1777, dois anos e meio depois de coroado, finalmente levou a façanha a cabo. Mas o bizarro impasse só foi superado depois que o irmão mais velho de Maria Antonieta, o brusco e direto imperador José II da Áustria, chegou a Versalhes para uma conversa franca com a irmã sobre seus hábitos perdulários, e com o hesitante dinasta sobre as suas obrigações. José foi tomado pelo desprezo ao descobrir, como escreveu a seu irmão mais novo, o arquiduque Leopoldo, em Viena, que o rei “tem ereções fortes e perfeitamente satisfatórias; introduz seu membro, fica lá sem se mover por uns dois minutos, retira-se sem ejacular, mas ainda ereto, e dá boa-noite”. Estivesse ele presente, garantia ao irmão, mandaria chicotear Luís “para que ele ejaculasse de pura raiva, como um jumento”.

Além da humilhação de ter seus lençóis diariamente examinados, em busca de sangue ou “emissões”, e de saber que suas regras eram relatadas pelos embaixadores a todas as cortes da Europa, o calvário da prolongada virgindade de Maria Antonieta a mantinha aprisionada num limbo perigoso. Enquanto a anulação do casamento fosse possível, ela precisava cultivar uma “aparência de crédito” junto ao rei, como explicou a seu irmão. Cultivar uma aparência de virtude poderia ter sido uma estratégia mais política, mas ela preferiu buscar inspiração para seu estilo e comportamento nos modos das concubinas reais. Tanto a mulher de Luís XIV como a de Luís XV tinham sido figuras secundárias, imersas na sombra e na devoção, exatamente o que os franceses esperavam de uma boa rainha. As principais favoritas de seus maridos, porém – madames de Montespan, de Pompadour e du Barry (uma deslumbrante ex-prostituta de comportamento descarado, que ainda praticava o ofício com o velho Luís XV quando Antonieta chegou à corte) – eram cintilantes estrelas-guia, cujo poder ninguém se atrevia a ignorar. Assim, a virgem de quem todos zombavam começou a aumentar seu “crédito” fictício, acumulando um extravagante guarda-roupa de mulher manteúda (e deixou isso bem claro quando compareceu a um de seus bailes de máscaras fantasiada de Gabrielle d’Estrées, a amante de Henrique IV na época da Renascença, envergando um amplo véu de gaze branca salpicada de prata, peitilho e cinta de diamantes, e uma saia adornada de franjas de ouro presas por alfinetes com mais diamantes), além de um patrimônio imobiliário pessoal de valor incalculável, que incluía o Petit Trianon, que fora construído para a Pompadour, e mais o castelo e parque de Saint-Cloud, bens da Coroa que mandou transferir para o seu nome.

Em 1774, Luís XV, avô do Delfim, morreu subitamente de varíola, aos 64 anos. “Deus nos ajude”, exclamou Luís XVI, então com 19 anos, “pois somos jovens demais para reinar.” Pouco depois de sua coroação, um ano mais tarde, à qual a rainha compareceu com um figurino especialmente notável – um vestido bordado, incrustado de safiras, e um penteado que era uma verdadeira pirmide em degraus. Ela encomendou um retrato com a roupa para enviar à mãe. Quando a imperatriz Maria Teresa o recebeu, ficou atônita. “Não, este não é o retrato de uma rainha de França”, escreveu ela em resposta. “É o retrato de uma atriz!”.
Até o fim, o ódio feroz do povo nunca perturbou muito Maria Antonieta. Ela dissera à sua mãe, anos antes, que os franceses “tinham um caráter irrefletido, mas não de todo mau; as penas e as línguas dizem muitas coisas que não vêm do coração”. Parecia achar que ela própria tinha um coração puro: o de uma rainha esclarecida, que fornecia dotes para donzelas indigentes. Que importava crianças camponesas para servir de companheiros de brinquedo a seus filhos e ensinar-lhes a humildade. Que adotou o órfão de uma camareira. Que sustentava artistas, como seu professor de música, Gluck, e o pupilo deste, Salieri. E que prestou homenagem aos ideais de Rousseau ao construir uma aldeia encantadora e falsamente rústica – o Hameau de la Reine – onde ela e suas damas de companhia gostavam de usar trajes de exorbitante simplicidade, conhecidos como gaulles, complementados por um cinto de fita e um chapéu de palha.


Afora sua cobiça excessiva e imprudente, Maria Antonieta nada tinha de maligno. Nunca sequer sonhou as atrocidades, entre elas o incesto e a pedofilia, que acabaram atribuídas à “Messalina de França”, à “Meretriz Austríaca”. Pelos padrões de Versalhes (reconhecidamente deploráveis), foi uma consorte leal, mãe dedicada e esposa satisfatoriamente virtuosa. E nem o povo francês reprovava de todo os extravagantes figurinos da rainha. Esperava-se dela, na verdade se exigia, que exibisse seu apoio patriótico aos ofícios do luxo, especialmente à tecelagem da seda, setor importante da economia. Mas Maria Antonieta nunca entendeu que seu esplendor era uma espécie de libré, de uniforme de trabalho, e que devia vir acompanhado dos deveres e sacrifícios que a sua função impunha. Não poderia ter sido morta sem antes ter sido desonrada, e foi cúmplice inconsciente de sua própria profanação, ao afirmar seu direito divino ao único privilégio que nenhum ser divinizado pode exercer impunemente. O direito de, como disse à sua mãe, “ser eu mesma”.

Maria Teresa teria preferido negociar uma de suas filhas mais velhas com a França, uma aliada que não lhe inspirava segurança. Mas uma delas tinha marcas de varíola e as outras estavam ou casadas ou mortas. Embora Antonieta, assim como seu prometido, fizesse parte da reserva dinástica (até a morte prematura de seu pai e de dois irmãos, Luís era o quarto na linha de sucessão), a beleza aumentava seu valor. De acordo com sua camareira e biógrafa, Madame Campan, era uma loura clara, agradável e de olhos azuis, “explodindo de frescor”, que dava aos exigentes franceses poucos motivos de queixa. Até mesmo seus detratores lhe admiravam o porte majestoso e a cútis sem igual. Seus seios inexistentes causaram um certo murmúrio de desaprovação num primeiro momento, mas, dois meses antes do casamento, a imperatriz teve o prazer de informar ao emissário do rei de França que sua filha “tornara-se mulher”. E os dois concordaram que, depois que se tornasse esposa, com o ventre ocupado, o peito haveria de adquirir volume.

A “entrega” (remise) de uma dauphine era um ritual não muito diferente da conclusão de uma transação imobiliária, com uma inspeção final na presença de representantes das duas partes do negócio. O
 relatório inicial, porém, assinalara alguns pequenos defeitos que demandavam correção. Assim, o dentista parisiense que inventara o aparelho de correção foi importado para retificar os dentes da arquiduquesa. Um mestre de dança ensinou a Antonieta o andar peculiar e deslizante das damas da corte. E um cabeleireiro francês, M. Larsenneur, disfarçou com arte sua testa alta demais e as entradas de seus cabelos. O conserto das lacunas bem mais evidentes em sua cultura e educação foi entregue ao mundano Abbé de Vermond, que fez o que pôde por uma aluna preguiçosa que até então fora ao mesmo tempo mimada e deixada de lado em sua formação.

Assim que se completou a transformação, e a frugal imperatriz empenhou estoicamente 400 mil libras (a renda anual de um nobre de porte) num enxoval à altura da nova família de sua filha, a dauphine e sua comitiva partiram para a França. Emissários de Luís XV a receberam na fronteira, onde ela entrou num pavilhão armado para a remise, numa ilha do rio que demarcava os limites entre os dois reinos. Enquanto uma furiosa tempestade fazia sacudir o teto precário, e a futura rainha digeria o significado de uma tapeçaria que retratava Medéia sacrificando os filhos, sua comitiva austríaca a despiu solenemente diante de todos os presentes e empilhou num canto todas as suas roupas e pertences, inclusive seu cãozinho pug chamado Mops, maculados pela origem estrangeira. Chorando e tremendo, ela se transformou em propriedade da Coroa de França no momento em que suas novas damas de companhia tornaram a vesti-la.


Maria Antonieta foi duplamente usada. Primeiro, com a finalidade de produzir um herdeiro legítimo para uma monarquia ossificada. Depois, para ajudar a legitimar os fanáticos que a derrubariam. Um estudioso do século XVIII, Pierre Saint-Amand, resume a vida dela entre esses dois marcos como “uma série de bailes a fantasia”. O que serve como descrição justa para o filme de Sofia Coppola, e também da premissa de uma nova biografia, Queen of Fashion: What Marie Antoinette Wore to the Revolution (Rainha da Moda: o que Maria Antonieta usava na Revolução), de Caroline Weber. Seu subtítulo sugere o quanto pode ser tentador, mesmo para uma historiadora séria, deter-se na principal obsessão de sua personagem. Na era gloriosamente espirituosa em que viveu, a rainha escolheu – ou talvez só conseguisse – se manifestar usando a prosa
hiperexclamativa das suas (nas palavras de Weber) “proclamações em forma de moda”. É sempre gratificante descobrir o quanto pode significar uma dessas “declarações”, e o relato que Weber faz da transição do Ancien Régime para a República, do ponto de vista do vestuário, é um trabalho acadêmico que ajuda a explicar a transcendental importncia da moda para a cultura francesa
 
 
Assim que se completou a transformação, e a frugal imperatriz empenhou estoicamente 400 mil libras (a renda anual de um nobre de porte) num enxoval à altura da nova família de sua filha, a dauphine e sua comitiva partiram para a França. Emissários de Luís XV a receberam na fronteira, onde ela entrou num pavilhão armado para a remise, numa ilha do rio que demarcava os limites entre os dois reinos. Enquanto uma furiosa tempestade fazia sacudir o teto precário, e a futura rainha digeria o significado de uma tapeçaria que retratava Medéia sacrificando os filhos, sua comitiva austríaca a despiu solenemente diante de todos os presentes e empilhou num canto todas as suas roupas e pertences, inclusive seu cãozinho pug chamado Mops, maculados pela origem estrangeira. Chorando e tremendo, ela se transformou em propriedade da Coroa de França no momento em que suas novas damas de companhia tornaram a vesti-la.
 
O perfumista Jean Louis Fargeon, ficou atônito em sua primeira visita ao palácio, por alguns dos motivos que também devem ter chocado Maria Antonieta, que crescera numa corte e numa família onde a higiene impecável era um artigo de fé. Não só os cortesãos de Versalhes pareciam embalsamados, por baixo de suas máscaras de pó branco e ruge, mas os muitos que só se banhavam uma vez por ano cheiravam mal como cadáveres. Os pátios e corredores imundos fediam a excremento das pessoas e dos animais domésticos. Gatos mortos boiavam em águas estagnadas. E um açougueiro praticava seu ofício – o de estripar e assar porcos – na entrada da ala dos ministros
 
 
 


 
Imagem:Marie-Antoinette; koningin der Fransen.jpg
 
 
 

 
Maria Antonieta sentou-se sobre um assento de madeira. Dois Meses de Conciergerie haviam feito daquela rainha de 38 anos uma velha, com
aparência de mais de 60 anos.
  Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. O presidente procedeu o interrogatório. Quando lhe foi perguntado seu nome, a acusada respondeu, com voz alta e clara: "Maria Antonieta da Áustria e da Lorena, trinta e oito anos, viúva do rei da França."
As perguntas sucederam-se de modo desordenado, algumas sem a menor importncia. A rainha respondeu com precisão algumas vezes, com prudência outras, com altivez sempre. De repente, houve o testemunho sensacional de um sapateiro, um certo Simon: Maria Antonieta, durante seu cativeiro, teria submetido seu jovem filho a atos incestuosos. A acusada ficou pálida e visivelmente emocionada: "A natureza se recusa a permitir tal acusação feita a uma mãe", gritou ela: "Eu apelo a todas as mães que por ventura aqui estiverem". Esse tom sofrido produziu sobre todos uma forte impressão. As pessoas recusaram-se a acreditar em tamanha monstruosidade. Pela primeira vez, o povo estava a favor de Maria Antonieta.
Em seguida, foi a vez das testemunhas. Quarenta e uma pessoas desfilaram por ali, sem fazer qualquer contribuição útil ao processo. No interrogatório, ela foi acusada de ser a instigadora da guerra civil. Depois veio a defesa e, então, Maria Antonieta foi condenada à morte e executada no dia 16 de outubro 1793, ela foi ao suplício numa gaiola( teve um carrossel), com grande coragem, sem medo, sendo que seu corpo foi colocado numa fossa comum ao seu marido e após o regresso dos Bourbons, os corpos foram sepultados na Basílica de Saint Denis (perto de Paris) e no sítio da fossa comum foi edificada a capela " expiatoire ".

Ela teve 4 filhos Madame Royale ( 1778 -1851 ), um filho nascido em 1781 e morto em 1789, Luis XVI 1785 - 1786, que morreu numa prisão
 
 
 
Maria Teresa, Duquesa de Angoul? 
 
 
Maria Teresa Carlota de França
 
Era a filha mais velha de Luis XVI e de Maria Antonieta
 
Em outubrode 1793Marie Antonieta foi levada à prisão de Concierge e acusada de traição, de incesto com seu filho e doutros crimes. Apesar da falta de provas para tais acusações, a rainha foi declarada culpada e condenada à guilhotina. Foi executada por Sanson em 16 de outubro Em maio de 1794, a tia de Maria Teresa também foi executada.
Durante todo o período de reclusão no templo, Maria Teresa nunca soube o que realmente havia acontecido com sua família. Tudo o que sabia era que seu pai estava morto e sentiu-se completamente isolada e infeliz.Foram encontradas em sua cela na prisão as seguintes inscrições: <<Maria Teresa é a criatura a mais infeliz no mundo. Não pode obter nenhuma notícia de sua mãe, embora tenha pedido mil vezes. (...) Viva, minha boa mãe! quem eu amo tanto, mas de quem eu posso não ouvir som algum. Oh, meu pai! olhe para mim daí do céu, a vida é tão cruel. Oh, meu Deus! perdoe aqueles que fizeram minha família morrer.
 
 
Pintura de Lu?XVII de Fran?(1789). 
Pintura de Luís XVII de França (1789).
 
Luís XVII de França nasceu no palácio de Versailes 27 de março de 1785 Prisão templo de Paris,8 de junho de 1995) também conhecido como Luís Carlos, Duque da Normandia (1785-1789), Luís Carlos, (1789-1791), e Luís Carlos, Principe Real de França (1791-1793). Pretendido mas não efetivo rei de França .
Segundo filho varão de Luis XIVI e Maria Antonieta ao morrer seu irmão Luís José em 1789, se converteu em Delfim de França e heredeiro da Coroa. Em 1792 foi encarcerado com seus pais, sua irmã Maria Teresa da França e sua tia a princesa Isabel na Prisão do Templo.
Ao ser guilhotinado seu pai (em21 de janeiro de 1792 os monarquistas o proclamaram rei de França com o nome de Luís XVII, porém os revolucionários o mantiveram prisioneiro em condições sub-humanas, e morreu na prisão em 10 de agosto de 1795. As misteriosas circunstncias de seu falecimento fizeram que ao largo do século 19, surgissem uma série de falsos Delfins, dos quais o mais célebre foi Karl Wichelm Nauundoerff. Contudo, no início do século XXI, uma análise de DNA confirmou que o coração dissecado de um menino morto em 1795 pertencia a Luís XVII, confirmando que morrerra no Templo.
Em 1814, quando da restauração da monarquia na França, seu tio, o conde Provença, toma o nome de Luís XVIII como homenagem à memória de seu sobrinho, o menino rei que jamais chegou a reinar.
 
 



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